segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Realidade


Tento ver a realidade... Tudo se apaga...
Como se numa folha em branco
se dispusesse todo o meu disforme esforço,
esforço em vencer mais uma vez,
em ultrapassar as forças interfaciais
entre mim e a essa barreira irreal,
oblíqua na transmissão desses devaneios ilusórios.
É qualquer coisa como ver tudo a desmoronar
sem tocar nos frágeis pontos que ainda me sustentam nessa ilusão.
Como se nada se desequilibrasse
quando eu própria já perdi o controle sobre mim há muito,
muito tempo. Como se essa palavra, controlo,
nunca tivesse feito parte de mim,
como se a ansiedade em que vivo continuamente
se repercutisse num vazio insano
e preenchido fosse por sentimentos cessados,
parados, em caudal suspenso.
E nesse vai e vem de sentimentos,
sonhos, desejos e vontades seguidas
minuciosamente vinculadas no meu sistema nervoso,
repousam vorazmente pequenas parcelas de suplícios malditos.
Esses que também assentam no mar de necessidades dispensáveis,
mas inquebráveis, gritantes, mas extenuantes,
essencialmente esquecidas e reconquistadas.
Como podemos reconquistar algo que nunca tivemos?

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